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Um bom profissional ou um Bom Ser humano? Eis a questão!

EP Equipe Prime Estágios- R&S 31 ago 2026 5 min de leitura
Um bom profissional ou um Bom Ser humano?  Eis a questão! Empresas

Quando um jovem chega ao primeiro estágio ou ao primeiro emprego, ele não chega apenas com um currículo.

Ele chega com sua história.

Traz consigo a educação que recebeu, os exemplos que teve, o ambiente familiar, suas experiências, suas dificuldades, suas habilidades, seus valores e, principalmente, a maneira como aprendeu a lidar com responsabilidades, frustrações, escolhas e pessoas.

É por isso que falar sobre a preparação dos jovens para o mercado de trabalho exige uma discussão que começa muito antes da primeira entrevista.

Qual é o papel da escola na formação desse indivíduo?

A escola não é responsável por tudo. Mas é responsável por uma parte importante.

Família, escola, sociedade e, posteriormente, o próprio ambiente profissional participam da formação de uma pessoa.

No entanto, a escola ocupa uma posição singular nessa cadeia.

É um dos poucos ambientes em que praticamente todos os jovens passam durante uma etapa fundamental de seu desenvolvimento.

E isso lhe confere uma responsabilidade que vai além da transmissão de conteúdos.

A própria legislação educacional brasileira estabelece como finalidade da educação o pleno desenvolvimento do educando, sua preparação para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. A BNCC também estabelece competências relacionadas ao pensamento crítico e criativo, comunicação, argumentação, autoconhecimento, cooperação, responsabilidade, cidadania, trabalho e projeto de vida.

Ou seja, a discussão não é sobre transformar a escola em uma empresa.

É reconhecer que preparar o indivíduo para a vida também envolve prepará-lo para o mundo em que ele viverá e trabalhará.

Mas estamos conseguindo fazer isso?

Essa é uma pergunta difícil.

O Brasil possui enormes diferenças sociais e econômicas que interferem diretamente na trajetória educacional.

No PISA 2022, estudantes brasileiros dos 25% mais favorecidos socioeconomicamente tiveram desempenho em matemática 77 pontos acima dos 25% mais desfavorecidos.

Isso significa que não existe um único “jovem brasileiro”.

Existem jovens que chegam à escola com diferentes oportunidades, estímulos, referências, condições familiares e experiências de vida.

Por isso, seria injusto atribuir à escola toda a responsabilidade pela formação de cada indivíduo.

Mas também seria um erro concluir que, diante dessas dificuldades, ela não possa exercer um papel transformador.

Talvez seja justamente por causa dessas diferenças que sua responsabilidade seja ainda maior.

Não basta descobrir no que o jovem é bom

Uma boa formação deveria ajudar o estudante a perceber suas potencialidades.

Onde demonstra facilidade?

Que atividades despertam seu interesse?

Quais competências possui?

Que caminhos profissionais podem ter relação com aquilo que ele faz bem?

Mas existe uma segunda parte, igualmente importante:

aquilo que ele ainda precisa desenvolver.

Um jovem que se comunica muito bem pode precisar aprender organização.

Alguém com excelente raciocínio pode precisar desenvolver relacionamento interpessoal.

Uma pessoa criativa pode precisar aprender disciplina e cumprimento de prazos.

Quem possui facilidade para trabalhar sozinho pode precisar desenvolver colaboração.

Educar não deveria significar apenas potencializar aquilo que o indivíduo já faz bem.

Também deveria ajudá-lo a reconhecer suas dificuldades e criar condições para superá-las.

Porque o mundo real não é construído apenas em torno dos nossos pontos fortes.

Conhecer a si mesmo também é uma competência

Talvez uma das contribuições mais importantes que a escola possa oferecer seja ajudar o jovem a responder algumas perguntas simples:

Quem sou eu?

No que sou bom?

O que preciso melhorar?

Como lido com dificuldades?

Como me relaciono com outras pessoas?

Que tipo de atividade faz sentido para mim?

Que responsabilidade tenho pelas minhas escolhas?

Isso não significa determinar precocemente qual profissão o jovem deverá seguir.

Significa oferecer ferramentas para que ele possa fazer escolhas mais conscientes.

E isso pode fazer uma diferença enorme quando chegar o momento de escolher um curso, procurar um estágio e entrar no mercado de trabalho.

O desafio também está na escola

É fácil dizer que o jovem precisa estar mais preparado.

Mais difícil, e mais importante, é reconhecer que não estamos oferecendo aos profissionais da educação as condições necessárias para cumprir essa missão.

A formação docente, a capacidade de lidar com diferentes realidades, o acompanhamento pedagógico e a formação continuada são questões que precisam fazer parte dessa discussão.

A própria existência de indicadores oficiais para acompanhar a adequação da formação dos docentes demonstra que essa é uma questão concreta do sistema educacional brasileiro.

E existe ainda outro desafio:

como formar indivíduos críticos sem transformar a educação em um espaço de pensamento único?

Se queremos jovens capazes de analisar, questionar e argumentar, precisamos ensiná-los a conhecer diferentes perspectivas, avaliar informações, ouvir opiniões divergentes e construir suas próprias conclusões.

Pensamento crítico não deveria significar ensinar o jovem a pensar como alguém.

Deveria significar ensiná-lo a pensar.

A escola não precisa entregar um profissional pronto

Talvez essa seja uma expectativa equivocada.

A escola não tem como entregar à empresa um jovem profissionalmente acabado.

E nem deveria ser essa sua função.

O que ela pode fazer é contribuir para que esse jovem chegue ao próximo estágio de sua vida com melhores ferramentas para aprender, conviver, escolher, assumir responsabilidades e desenvolver aquilo que ainda não domina.

Porque o aprendizado não termina na escola.

Ele continua na faculdade.

Continua no estágio.

Continua no primeiro emprego.

Continua durante toda a carreira.

E é justamente por isso que a formação inicial importa tanto.

O primeiro emprego não deveria ser o primeiro lugar onde o jovem começa a descobrir quem é.

A escola pode ajudar a iniciar esse processo.

A família tem sua responsabilidade.

A sociedade também.

E a empresa, quando recebe esse jovem, passa a ter uma nova oportunidade: continuar formando.

Talvez seja essa a conexão que ainda precisamos fortalecer.

Não se trata de escolher entre formar cidadãos ou profissionais.

Precisamos formar indivíduos capazes de ser bons cidadãos e, a partir disso, desenvolver-se para serem bons profissionais.

Porque competências técnicas podem ser ensinadas.

Ferramentas podem ser aprendidas.

Processos podem ser treinados.

Mas responsabilidade, capacidade de aprender, disposição para evoluir, respeito, autonomia e consciência sobre as próprias escolhas precisam ser construídos ao longo de uma trajetória.

E essa trajetória começa muito antes do primeiro currículo.

A pergunta que precisamos fazer não é apenas se o jovem está preparado para o mercado de trabalho.

É se estamos preparando o jovem para a vida que antecede o mercado de trabalho , e para as responsabilidades que virão depois dele.
E, enquanto essa formação não acontece da maneira que gostaríamos, talvez caiba também às empresas persistirem em ajudar a construir essa ponte.

Porque esperar pelo profissional pronto pode ser exatamente o que nos fará ficar sem profissionais.

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EP

Equipe Prime Estágios- R&S

Conteúdos sobre estágio, empregabilidade e mercado de trabalho, produzidos a partir da experiência da Prime Estágios na conexão entre estudantes e empresas.

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